segunda-feira, 9 de maio de 2016

CLAUSTROFOBIA

Você já ouviu dizer que o medo é o maior inimigo do homem? – Porém, é um sentimento saudável, de defesa e autopreservação, manifestado pelo ser humano diante de uma situação de perigo real ou imaginário. Quando, no entanto, se torna exagerado e irracional, pode trazer problemas. É aí que passa a ser chamado de fobia.  
Das fobias específicas – de barata, de cobras, de altura, entre outras – a claustrofobia é das mais comuns. “Entre 20% e 25% da população mundial possui alguma fobia”, explica Luiz Vicente Figueira de Mello, supervisor do programa de ansiedade do IPq. “A claustrofobia e a agorafobia, como se superpõem, chegam a atingir de 4% a 5% das pessoas.” O profissional faz a ressalva porque a diferenciação entre os dois conceitos é muito tênue e costuma provocar confusões: a claustrofobia é o medo específico de lugares fechados, de confinamento, de não poder fugir de determinado local. Manifesta-se mais comumente em elevadores, metrô e aviões, mas há quem não consiga nem dormir com a porta do próprio quarto fechada. A agorafobia, por sua vez, é o medo de espaços abertos, muito populosos, onde a pessoa acha que vai passar mal e não poderá ser socorrida.


Isso ocorre quando o problema passa realmente a interferir no cotidiano, se transformando em um fator decisivo a se levar em conta quando decisões devem ser tomadas. A fobia patológica faz com que a pessoa recuse uma boa oportunidade de emprego porque tem que andar de avião, por exemplo, ou com que prefira subir vários andares de escada a pegar o elevador. É um pavor que interfere no dia a dia da pessoa e que a paralisa, faz com que passe mal quando fica diante da situação temida. Mas o que define alguém como, de fato, portador de claustrofobia? O que diferencia o diagnosticado daquele que simplesmente tem medo de algo? Afinal, não raro vemos pessoas com medo de elevador, por exemplo, mas que não são necessariamente claustrofóbicas.

No caso dos claustrofóbicos, essa interferência é recorrente. E não só por causa do papel essencial que elevadores cumprem em uma cidade cheia de prédios, como São Paulo. Uma pesquisa que o IPq está conduzindo com pacientes que têm medo de realizar exame de ressonância magnética é um bom exemplo: para fazer a ressonância, a pessoa é deitada em uma maca que desliza para dentro de um tubo fechado, onde permanece, em média, por 40 minutos. Encarar três quartos de hora enclausurado em um espaço mínimo sem poder se movimentar é um verdadeiro desafio a quem sofre de claustrofobia.

E as consequências ocasionadas pelo transtorno não são apenas psicológicas. O sentimento de medo é acompanhado pelos chamados sintomas autonômicos – sintomas determinados pelo sistema nervoso autônomo. São alterações na frequência cardíaca, falta de ar, sudorese intensa, extremidades frias, boca seca, entre outros do tipo, podendo chegar a crises de pânico ou desmaio em alguns casos. Do outro lado da balança, no entanto, está a importância que um exame do tipo tem na identificação de tumores, doenças degenerativas, coágulos e traumas. Uma situação de grande dilema para os claustrofóbicos.

Origem do problema

Os motivos que levam uma pessoa a ser claustrofóbica podem ser vários, mas o mais curioso é o envolvimento do tema com uma tendência filogenética. “Acredita-se, hoje, que a seleção natural fez com que selecionássemos medos e os transformássemos em memórias que dizem o que devemos e não devemos temer”, conta Mello. “A claustrofobia está incluída nisso: em determinados momentos da evolução, se alguém ficasse preso em uma gruta, morria.”

Por causa disso, existem pessoas com a bagagem filogenética que faz delas um fóbico em potencial. Se dois indivíduos sofrem um acidente de elevador, o que possuir essa bagagem pode desenvolver claustrofobia pelo trauma e o outro, que vivenciou a mesma experiência, continuar sem medo. 

Mas o transtorno pode surgir do aprendizado com a própria família. As pessoas são educadas a ficarem fóbicas. Uma mãe que tem claustrofobia e, a todo momento, evita o elevador, ou fica apavorada quando entra em um, transmite esse medo para seu filho, passa a ideia de que o elevador é perigoso, e sua criança pode vir a ter o mesmo problema.

Tratamento

Diante de uma claustrofobia pura – que não está acompanhada por outros transtornos como depressão e pânico – o tratamento ideal é a psicoterapia comportamental cognitiva. O paciente é exposto progressivamente ao medo com a ajuda de um profissional. Primeiro, é feita uma exposição à imaginação, onde o profissional conduz a pessoa a se imaginar dentro do elevador, pensar em como ela estaria se sentindo. Usa-se fotos para ajudar. É muito comum que os fóbicos nem queiram imaginar essas coisas, eles têm muita dificuldade para isso. Mais tarde, quando está preparada, a pessoa é levada para o elevador, acompanhada pelo profissional, de maneira progressiva e repetitiva. Ela acaba enfrentando o elevador e automatizando o costume de pegá-lo.

A continuidade da exposição ao medo tratado, no entanto, deve ser constante. Os comportamentos evitados mantêm a presença dos sintomas fóbicos, pois não experimenta as consequências do contato com o que teme, em geral mais tranquilas do que ele imagina. Se você foi tratado de claustrofobia, melhorou, extinguiu o medo, mas ficou anos sem entrar em um elevador, quando de repente tiver que usar um pode ter uma recaída. O exercício deve ser contínuo. A pessoa precisa conviver com o medo que foi tratado, ou tudo pode voltar.


Fonte: http://www.usp.br/espacoaberto/?materia=entendendo-a-claustrofobia

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica - (11) 97273-3448