quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CÉREBRO X INTESTINO

Existe uma incrível conexão entre cérebro e intestino, responsável pelo nosso bem estar. O que pouca gente sabe é que a maior parte de serotonina é produzida pelo intestino, que é o nosso segundo cérebro. Os neurocientistas descobriram que o intestino também é capaz de se lembrar, ficar nervoso e dominar o cérebro.

As células nervosas existentes no intestino não controlam apenas a digestão dos alimentos, elas são responsáveis por sensações comuns e que são sentidas diretamente nesse nosso órgão. Por exemplo: Ao recebermos uma boa notícia ou, ao nos depararmos com a pessoa amada, um formigamento agradável nos invade – o famoso frio na barriga.  Por outro lado, as situações de tensão, medo ou angústia nos corroem por dentro. A repulsa em direção a algo ou alguém pode produzir náuseas e até mesmo provocar o vômito. Estas sensações têm explicação na ciência. Nosso intestino possui altíssima concentração de células nervosas, quase exatamente como a estrutura do cérebro. Ambos produzem substâncias psicoativas que afetam o humor, como os neurotransmissores serotonina e dopamina e vários opióides que modulam a dor.

O nosso cérebro abdominal e têm dois objetivos principais:
·         Supervisionar o processo de digestão, promovendo o peristaltismo e a secreção dos sucos digestivos para digerir os alimentos, absorção e transporte de nutrientes e eliminação de resíduos.
·         Apoiar o sistema imunológico na defesa do organismo.

O intestino libera substâncias químicas como a serotonina, por exemplo, em resposta à nutrição e digestão saudável. Quando comemos bem, com variedade e com uma contribuição proporcional de todos os nutrientes e se temos um almoço saudável (sem pressa, mastigando bem e sem distração) nosso sistema digestivo nos responde e nos agradece com uma sensação de bem-estar, dando-nos um bom suprimento de energia, vitalidade e otimismo. Por outro lado, se por algum motivo a digestão e/ou trânsito intestinal é lento e incompleto estamos acumulando resíduos, o que pode causar uma sobrecarga tóxica ou autointoxicação. Percebam que muitas vezes o bem, ou mal estar emocional pode estar intimamente ligado à qualidade da nossa alimentação. Já existem estudos que mostram que, o jejum superior a seis horas pode desenvolver quadros depressivos causados exatamente pela interrupção do funcionamento adequado do nosso sistema gastrointestinal.

São muito comuns os casos de diarreia e constipação que estão ligados a fatores emocionais. A Síndrome do Intestino Irritável, por exemplo, é uma doença crônica que afeta o intestino grosso, cuja causa ainda é desconhecida e tem sido tratada com Terapia Cognitivo Comportamental associada ao tratamento médico. Os sintomas são cólicas, gases associados à diarreia ou constipação. O quadro está intimamente ligado ao estresse e/ou à ansiedade.

Ao digerir os alimentos e as emoções, nosso intestino e nosso cérebro estão exercendo funções correlacionadas. Ansiedade e diarreia podem estar intimamente ligadas. Quem nunca teve uma dor de barriga diante de um evento amedrontador? Contrário a isso, a constipação parece estar sempre ligada aos indivíduos depressivos, que travam o extravasamento das suas emoções.

As bactérias intestinais produzem diversas moléculas que interagem na comunicação entre o intestino e o cérebro. De todos os micro-organismos que habitam o aparelho digestivo e passeiam por ele, a maior parcela é amiga. Há, porém, as frutas (ou melhor, bactérias) podres. E ai se elas encontram condição para se multiplicar. “Precisamos que os exemplares benéficos estejam sempre em maior número, porque, assim, controlam os nocivos”, resume a farmacêutica Yasumi Ozawa, da Yakult, pioneira nessas pesquisas.

Os cientistas ainda estão apurando todos os detalhes envolvidos, mas já conhecem alguns fatores que desequilibram a microbiota. Uma alimentação muito rica em gordura, por exemplo, está associada ao desenvolvimento de bactérias ruins e à morte das boas. As manifestações disso são mais gases e distensão abdominal. A desordem ainda é deflagrada por estresse fora de controle e uso de antibióticos, que, para matar os vilões, acabam exterminando também os mocinhos.
Se os germes maléficos dominam o pedaço, é encrenca na certa. Isso prejudica as paredes e os movimentos do intestino e dispara inflamações. No dia a dia, o indivíduo tem dores, diarreia ou constipação. Só que o desarranjo local repercute na cabeça. Estímulos de confusão na barriga viajam até o cérebro e contribuem para o humor e a concentração irem por água abaixo. Sim, ficamos enfezados.

O impacto desses distúrbios – por razões hormonais, estão mais sujeitas nas mulheres do que os homens. Elas apresentam inchaço no ventre, flatulências e prisão de ventre, com variações de humor, menos concentração nas tarefas cotidianas, modificando comportamentos.

Os médicos já sabem que condições como a síndrome do intestino irritável, marcada por diarreia ou dificuldade de ir ao banheiro sem razão aparente, propiciam nervosismo e depressão – assim como a ansiedade e o baixo-astral desequilibram a flora intestinal e desencadeiam as crises.


Mas é possível prevenir, ou até reverter, desequilíbrios na microbiota intestinal? A resposta é sim. A flora pode ser modulada para que as bactérias do bem vivam em paz ou voltem a reinar. E isso é obtido, em parte, via alimentação, quando se investe nos probióticos, lácteos enriquecidos com micro-organismos benéficos à saúde. Mas fique atento ao rótulo: nem todo iogurte, por exemplo, é probiótico. Repare se a embalagem informa isso e qual sua concentração de bactérias, medida em UFC (unidade formadora de colônia). O produto precisa ter de 2 a 10 bilhões de UFC por dose. Ah, probióticos também estão disponíveis hoje em cápsulas e sachês.

Fontes: osegredo.com.br  
             saude.abril.com.br

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga e Terapeuta
(11) 97273-3448