sexta-feira, 28 de junho de 2013

TRANSTORNOS COMPORTAMENTAIS E EMOCIONAIS INFANTIS

O número de crianças com diagnóstico e tratamento para transtornos disruptivos, incluindo déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) aumentou acentuadamente na última década. Coerente com essa tendência é um crescente debate sobre a melhor maneira de tratar esses problemas em crianças.
De acordo com um estudo publicado no Journal of the American Medical Association, o número de crianças pré-escolares que recebem estimulantes, antidepressivos e outras medicações psiquiátricas "aumentou drasticamente." O estudo levantou preocupações sobre o crescente uso de medicações para controlar distúrbios de TDAH em crianças pequenas, porque pouco se sabe sobre sua segurança e eficácia para crianças de idade pré-escolar. Poucas destas drogas, segundo estudo aponta, são aprovados pela Food and Drug Administration EUA para a prescrição para crianças pequenas.

Para os pais, especialmente de crianças diagnosticadas com uma desordem comportamental ou emocional, ou aqueles que suspeitam de seus filhos terem sido vítima de um problema, essas novas preocupações sobre o uso de medicamentos psicotrópicos apresentam dilemas irritantes. Como os pais devem tomar decisões sobre o curso do tratamento é o melhor para seu filho ou filha?

Embora as crianças se desenvolvam cada uma em seu próprio ritmo, há uma média nos estágios de desenvolvimento. É importante que pais, cuidadores e professores percebam o crescimento e desenvolvimento de seus filhos e alunos e observem as mudanças comportamentais incomuns ou regressões. Cada criança terá um "dia ruim" ocasional, e é apropriado crianças terem altos níveis de energia em algum momento. Mas, se seu filho está com problemas persistentes que interrompem a sua participação na escola ou interação com outras crianças, ou, se o seu filho mostra sinais de retraimento social, incapacidade de concentrar a sua atenção, ou é impulsivo e agressivo indevidamente, pode estar na hora de procurar ajuda profissional para determinar o que está acontecendo e qual a melhor forma para ajudar o seu filho ou filha.

Como regra geral, é hora de consultar um profissional de saúde mental para saber se o comportamento da criança é inadequado para a idade, um padrão em curso, e, se este interfere com no seu aprendizado, crescimento e desenvolvimento social.

Os professores, administradores escolares, ou pediatras podem sugerir que o comportamento de uma criança é problemático e que ele ou ela poderia tirar proveito de tomar uma medicação psicotrópica. No entanto, uma avaliação criteriosa e diagnóstico por profissional de saúde devidamente treinado e credenciados deve ter lugar antes de qualquer decisão. Entre os profissionais que fariam as avaliações apropriadas de comportamento do seu filho são psicólogos, pediatras, neurologistas pediátricos, e psiquiatras infantis. Esses prestadores de cuidados pediátricos também deve acompanhar o tratamento, monitorar o progresso da criança, sua família e escola. 

Os programas de tratamento podem assumir muitas formas e são melhores quando são específicos para a criança. Eles podem incluir psicoterapia incluindo terapia cognitivo-comportamental, ou formação em gestão comportamental, orientação dos pais, treinamento de habilidades sociais, e serviços de apoio à família.  Se for determinado que a criança precisa de medicação para além do tratamento comportamental é frequentemente mais eficaz se ambos os tipos de tratamento são empregados em conjunto.


Uma variedade de drogas psicotrópicas tem provado ser muito útil para ajudar adulto gerenciar uma série de transtornos psiquiátricos, mas algumas dessas drogas têm sido testadas para a segurança e a eficácia em crianças pré-escolares. Dependendo do seu filho família e diagnóstico, um programa comportamental deve ser considerado primeiramente antes do uso de medicamentos. Diagnóstico específico do seu filho é fundamental para determinar o melhor plano de tratamento. Pesquisas mostram que para o diagnóstico de TDAH com um distúrbio emocional co-ocorrência de uma combinação de medicação e terapia comportamental são indicados como o melhor trabalho, dependendo de cada caso. Para o diagnóstico de TDAH apenas, tratamento medicamentoso é mais eficaz. 

A Food and Drug Administration deve ter aprovado qualquer medicamento prescrito por um médico para o uso clínico, mas não necessariamente para o uso por crianças pré-escolares.
 Mais pesquisas são necessárias para compreender os efeitos a curto e longo prazo destas drogas em crianças e em seus cérebros em desenvolvimento. De fato, o Instituto Nacional de Saúde Mental anunciou recentemente que vai investir mais de US $ 5 milhões em pesquisa sobre o uso da Ritalina, a terapia comportamental e a combinação de ambas as intervenções para tratar déficit de atenção/hiperatividade em crianças pré-escolares.


Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões

RENDIMENTO ESCOLAR

A importância da ajuda dos pais.



O final do ano está chegando. Com ele se intensificam a pressão por boas notas e o nível de estresse em casa; especialmente nos casos onde a criança não teve um bom rendimento no decorrer do ano letivo e está correndo risco de não passar. Muitos pais encontram-se totalmente sem saber o que fazer diante das notas baixas e possível desinteresse do filho pela escola. Alguns me procuraram via e-mail e pessoalmente, perguntado se existem algumas dicas que, de algum modo, possam contribuir para um melhor acompanhamento do filho. Não existem fórmulas: cada criança é uma criança. Existem, no entanto, alguns pontos que podem contribuir para a melhor manutenção da relação pai X filho. Zoega, Souza e Marinho (2004) apresentam 14 destes pontos. Neste texto eu discuto cada dos pontos apresentados por eles, no entanto, da maneira como acho mais adequada a demanda que me vem sendo apresentada. Peço licença aos autores (ZOEGA, SOUZA e MARINHO, 2004) para usar a ideia deles.



Seguem as dicas:
1º – Tornar explícitos os direitos e deveres do filho: desde pequenas, as crianças devem aprender que direitos e deveres andam sempre juntos. Uns não existem sem os outros.
Existem direitos que, pelo simples fato de existir, toda criança tem – por exemplo, o amor e cuidado dos pais. Outros, no entanto, devem ser conquistados à medida que alguns deveres são cumpridos. Caso a criança não cumpra seu dever, ela perde um direito específico (daqueles conquistados), o qual deve ter sido acertado anteriormente. Por exemplo, os pais estabelecem que a criança deva fazer a tarefa de casa e, somente após isto, ela poderá assistir TV, jogar videogame, etc. Caso a criança não cumpra o dever combinado, ela não poderá, sob nenhuma condição ter acesso a seu direito de jogar vídeo game, ver TV, etc.

2º – Estabelecer uma rotina organizada: rotina refere-se à definição clara e precisa do horário para a realização de cada atividade.
É importante que os pais conheçam a quantidade e tipo de tarefas da criança para que possam organizar de maneira funcional a sua rotina. Estas informações devem ser coletadas com a própria criança e também com seus professores (é importante o contato frequente dos pais com os professores). Quanto maior a clareza e quantidade de dados os pais tiverem a respeito do que a criança precisa fazer, mais fácil fica para organizar a rotina dela.
Os horários para cada tipo de atividade (estudar, jogar, comer, etc.) devem ser estabelecidos e seguidos de maneira clara – hora certa pra brincar, pra comer, pra estudar, etc. Os estudos devem sempre ocupar status de prioridade – os primeiros da lista, o que diminui as chances da criança estar cansada quando for estudar. É interessante que os horários sejam combinados com a criança, respeitando suas preferências.
É interessante que os pais estabeleçam e sigam uma rotina também para si. As crianças aprendem com muito mais facilidade através da observação.
Ambas as rotinas podem ser organizadas em um cartaz para consulta sempre que necessário, o qual deve ser fixado em algum cômodo da casa.

3º – Estabelecer limites.
Existem pesquisas que mostram que maioria dos jovens infratores são oriundos de lares onde: 1) ou a disciplina é relaxada – isto é, os pais relativizam as regras, não colocam limites; ou 2) os pais são autoritários e agressivos (GOMIDE, 2006). Para viverem em sociedade, no entanto, as crianças devem aprender que existem regras a serem cumpridas – e este aprendizado começa em casa, no respeito às regras estabelecidas pelos pais. A criança deve aprender, então, que a última palavra é sempre dos pais. Os pais não podem, sob hipótese alguma, permitir que a criança assuma o controle das regras da casa.

4º – Supervisionar Atividades.
Quanto mais jovem a criança, maior a necessidade de supervisão de suas atividades. Existem pesquisas que apontam, inclusive, que o progresso na aprendizagem escolar está diretamente ligado a supervisão e organização das tarefas do lar (MATURANA, citado por ZOEGA, SOUZA E MARINHO, 2004). Os pais devem tomar cuidado, no entanto, para não fazerem a tarefa pela criança – sob pena de ensiná-la a delegar suas próprias obrigações a outros, esquivando-se delas.
Este acompanhamento consiste em verificar se a criança cumpre seus horários, se ela realmente faz o que se propôs a fazer, etc.

5º – Dosar Adequadamente a Proteção e Incentivo à Independência.
Tarefa difícil: como saber o quanto uma criança pode ser independente e o quanto os pais ainda precisam tomar as atitudes por ela e protegê-la? A independência deve ser incentivada aos poucos, à medida que a criança mostra-se capaz. Se os pais não permitem que a criança se exponha a certos desafios, ela jamais vai aprender a lidar com eles.

6º – Prover um ambiente com recursos e instrumentos para estudar.
O ambiente adequado para estudo envolve ausência ou quantidade mínima de ruídos, distrações, arejado, iluminado e arejado. O estado físico também é relevante. Se a criança encontra-se cansada, estressada, com sono, com fome, com medo, mais dificilmente aprenderá a matéria e o gosto pelos estudos.

7º - Estabelecer Interações Positivas.
O castigo é uma estratégia muito usada pelos pais para que uma criança não volte a apresentar um comportamento indesejado. Existem, no entanto, dois aspectos que precisam ser mencionados: 1) fazer com que a criança deixe de se comportar de maneira adequada, não a leva, necessariamente, a aprender a comportar-se de maneira adequada; 2) castigos e punições, em geral, funcionam durante um curto período de tempo. Os pais sabem que, muitas vezes, uma criança volta a apresentar um comportamento punido em uma situação posterior (o que não sabem, é que a probabilidade dela apresentar este comportamento é maior na ausência dos pais – agentes punitivos).
Deste modo, fica claro que castigos e punições não contribuem para a aprendizagem do comportamento adequado por parte da criança (p.e.: bater nela por que ela está jogando vídeo game ao invés de estudar não necessariamente faz com que ela faça de fato a atividade de casa, ela pode simplesmente fingir que fez para voltar a jogar). Além do mais, fazer com que a criança associe estudar com situações ou coisas desagradáveis pode, a longo prazo, fazer com que ela tenha pouco ou nenhum interesse pelos estudos.
É importante que os pais estabeleçam condições que propiciem – para reforçar, no sentido de tornar “agradável” para a criança – comportar-se da maneira adequada. Marinho (citado por ZOEGA, SOUZA E MARINHO, 2004) explica que maneiras interessantes de criar estas condições, envolvem acompanhar a criança nos estudos e apresentar recompensas imediatas ao estudar (p.e.: muito bom te ver estudando e poder te ajudar); descrever o comportamento que está sendo reforçado (p.e.: se a criança capricha em alguma coisa, dizer algo como “muito bom, parabéns pela dedicação"); enfim, consequências que tornem o estudo algo agradável. Todo o bom desempenho da criança deve ser elogiado e/ou gratificado, de maneira sincera, o que aumenta as chances de que a criança aprenda a gostar daquilo.
É também necessário que os pais entendam que a princípio, não há como uma criança que não gosta de estudar começar a gostar de repente. É preciso “construir o gosto” dela pelos estudos. Ela dificilmente irá gostar naturalmente de estudar. Consequências a longo prazo, como formar-se e ganhar dinheiro, não tem tanto poder sobre um comportamento da criança como consequências imediatas, como ganhar pontos em um jogo de videogame. É mais eficaz se, diante de um elogio feito aos pais por um professor ou uma boa nota em uma prova, os pais convidarem a criança para fazer algo que ela goste e não seja costume da família, especificando por que é que ela está sendo convidada para isto (p.e.: legal, gostei de sua nota. Vamos ao cinema para comemorar?).
Quando se trata de elogio, no entanto, um cuidado deve ser tomado: não é aconselhável que se faça uma crítica ou desafio junto ao elogio. Por exemplo, “gostei de sua nota, mas vamos ver se melhora, tá?”. Isto é um elogio seguido de crítica/desafio, o que desvaloriza a nota alta da criança. Fica a sensação de que o pai nunca está satisfeito. Os pais devem procurar ressaltar sempre os aspectos positivos do comportamento da criança e, na medida do possível, não punir aspectos negativos. Por exemplo, um boletim com notas variando entre 10 e 6. É mais proveitoso que, ao invés de punirem a nota 6, os pais elogiem as notas mais altas, como o 10, ou o 9.
Quando o pai vai falar para a criança de sua evolução, é necessário muito cuidado também para não compará-la a outras crianças. A comparação deve sempre ser feita com ela própria, mostrando seus resultados anteriores e os atuais. Se por acaso o rendimento tiver caído, é melhor não comparar.

8º – Demonstrar afeto.
A disciplina e estabelecimento de limites e regras só são efetivos quando os pais demonstram afeto pelos filhos (ZOEGA, SOUZA E MARINHO, 2004). O afeto pode ser demonstrado através da organização de um tempo para passar com os filhos, fazendo junto a eles coisas que eles gostam e sintam prazer em fazer. É importante também que os pais demonstrem que gostam da criança independente dela obter ou não sucesso na escola. O amor deve ser incondicional.

9º – Modelo adequado de envolvimento com as atividades.
A criança aprende de maneira mais eficaz quando ela vê alguém fazendo do que quando ela ouve que deve fazer. E para que ela aprenda, aquele comportamento observado deve ser consequência do reforço (conforme explicado no tópico 7).
Se os pais demonstram envolvimento e responsabilidade pelos estudos e/ou trabalho, mais provavelmente a criança também apresentará. Se eles apresentam gosto pela leitura e demonstram isto para a criança, mais provavelmente ela mais provavelmente apresentará também.

10º – Promover diálogo.
Os pais devem ter disponibilidade para ouvir a criança, cuidando para não transformar estes momentos em monólogos onde eles apenas a questionam. Existem inúmeras pesquisas que demonstram que correlação negativa entre confiança da criança nos pais e envolvimento em atividades ilegais (GOMIDE, 2006).

11º – Apresentar nível de exigência compatível com o desenvolvimento da criança.
De nada adianta cobrar da criança um desempenho o qual ela não possui condições de obter. Isto gera estresse e frustração nos pais e na criança.

12º – Relacionar o teórico com a prática.
Quando os pais valorizam o que a criança aprende e consegue relacionar aquilo com suas experiências o interesse e aprendizagem da criança, são mais efetivos.

13º – Incentivar o brincar e a socialização.
A criança que brinca tem um melhor desenvolvimento cognitivo, emocional e social. O dia da criança não pode se transformar em um fazer tarefas continuamente, devem existir momentos para a diversão – muitos momentos.

14º – Interessar-se pela vida do filho.
Os pais devem demonstrar interesse pela vida de seu filho em TODOS os momentos, não apenas quando este apresenta bons resultados. É importante que os pais participem das atividades que a escola do filho promove, acompanhe-o em situações onde ele gostaria de ser acompanhado, etc...

Referências:
Gomide, P. I. C. (2006). Inventário de Estilos Parentais. Modelo teórico: manual de aplicação, apuração e interpretação. Petrópolis: Vozes.

Zoega, M. R. S; Souza, S. R; Marinho, M.L. (2004). Envolvimento dos pais: incentivo a habilidade de estudo em crianças. Campinas: Estudos em Psicologia.

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga - (11) 97273-3448

TRANSTORNO DE OPOSIÇÃO

Todas as crianças passam por fases difíceis que muitas vezes poderiam ser descritas como "de oposição", especialmente quando se está cansado, com fome, estressado ou chateado. Quando eles estão assim podem discutir, conversar, desobedecer e desafiar os pais, professores e outros adultos. Há também momentos no desenvolvimento normal que o comportamento de oposição é esperado, como por exemplo, entre dois a três anos de idade ou até mesmo na pré-adolescência. Entretanto, o comportamento hostil se torna uma preocupação quando é frequente e consistente, que se destaca quando comparado com outras crianças da mesma idade e nível de desenvolvimento, e quando ela afeta a família da criança, social e a escola.


Para melhor entender, lê-se a definição:
O transtorno de oposição (TDO) é um transtorno disruptivo, caracterizado por um padrão global de desobediência, desafio e comportamento hostil. A criança ou adolescente discute excessivamente com adultos, não aceitam responsabilidade por sua má conduta, incomodam deliberadamente os demais, possuem dificuldade de aceitar regras e perdem facilmente o controle se as coisas não seguem a forma que eles desejam (SERRA-PINHEIRO et al., 2004, p.273).

Em crianças com transtorno desafiador opositor (TODO), geralmente apresentam um padrão contínuo de comportamento não cooperativo, desafiante, desobediente e hostil incluindo resistência a figura de autoridade. O padrão de comportamento pode incluir:
- Frequentes acessos de raiva;
- Discussões excessivas com adultos, muitas vezes, questionando as regras;
- Desafio e recusa em cumprir com os pedidos de adultos;
- Deliberada tentativa de irritar ou perturbar as pessoas;
- Culpar os outros por seus erros e mau comportamento;
- Muitas vezes, ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros;
- Frequente raiva e ressentimento;
- Agressividade contra colegas;
- Dificuldade em manter amizades;
- Problemas acadêmicos.

Embora não haja nenhuma causa claramente compreendida, acredita-se ser uma combinação de genética, ambiente, incluindo:
- Disposição natural de uma criança;
- Limitações ou atraso no desenvolvimento da capacidade de uma criança no processo de pensamento e sentimento;
- Falta de fiscalização;
- Inconsistência ou disciplina severa;
- Abuso ou negligencia;
- Desequilíbrio de certas substâncias químicas do cérebro, tais como a serotonina.

Os sintomas são geralmente vistos em várias configurações, mas são mais perceptíveis em casa ou na escola. Muitos pais relatam que seu filho com TOD estava mais rígido e exigente que os irmãos da criança, desde tenra idade.
Este problema é bastante comum, ocorrendo entre 2% e 16% das crianças e adolescente. Em crianças menores é mais comum em meninos, mas durante a adolescência ocorre com frequência em ambos os sexos. O inicio é geralmente gradual e aumenta a gravidade dos problemas de comportamento ao longo do tempo.
A melhor maneira de tratar uma criança com TODO inclui psicoterapia infantil que abrange técnicas de manejo e modificação do comportamento, utilizando uma abordagem coerente da disciplina e seguir com reforço positivo de comportamentos adequados.
É muito difícil os pais lidarem com estas crianças e adolescentes, por isso é indicado Orientação de Pais para melhor entendê-los além de obterem apoio e compreensão e consequentemente receberem treinamento acerca de habilidades de manejo destas crianças.
O sucesso do tratamento requer empenho e acompanhamento em uma base regular de ambos, pais e professores.


Por: Simone Barbosa Pasquini

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga (11) 97273-3448

TRANSTORNO DE CONDUTA

Pesquisa monitora o cérebro de crianças com problemas de conduta e descobre: elas reagem menos à dor alheia. Estudo sugere que atividade cerebral de crianças pode ser vista como fator de risco para desenvolvimento de psicopatia na idade adulta.


Pesquisadores mostram que, em crianças agressivas e violentas, as áreas cerebrais responsáveis
 pela empatia são menos ativadas pelo sofrimento alheio. (Thinkstock).



As origens do comportamento cruel apresentado por criminosos e psicopatas pode estar no cérebro. Um estudo publicado no periódico Current Biology monitorou a atividade cerebral de crianças inglesas que apresentavam problemas de conduta. A pesquisa deixou claro que o cérebro dessas crianças, quando são confrontadas com imagens de pessoas sofrendo, reage de maneira diferente da maioria das outras: as áreas associadas à empatia se mostram menos ativas em reação à dor alheia. Diante dos resultados, os cientistas sugerem que a análise da atividade cerebral de crianças ao testemunhar cenas de sofrimento pode ajudar a apontar fatores de risco para o comportamento antissocial e a psicopatia na fase adulta.


Jovens com transtorno de conduta apresentam uma série de comportamentos que violam os direitos alheios, como agressão física, crueldade, roubo e falta de empatia em relação às outras pessoas. As crianças com esse tipo de comportamento têm maiores chances de se tornar adultos violentos e ter comportamentos antissociais. Na Inglaterra, onde o estudo foi conduzido, cerca de 5% das crianças parecem ter esse tipo de problema.

No novo estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para descobrir se o cérebro dessas crianças com desvio de conduta reagia de modo diferente a fotografias de outras pessoas sofrendo. Como resultado descobriram que, em relação às outras crianças, áreas como a ínsula anterior, o córtex cingulado anterior e o giro frontal inferior — todas associadas à empatia — ficaram menos ativas.

Segundo os pesquisadores, isso não quer dizer necessariamente que toda criança com problemas de conduta tem a mesma reação ao sofrimento, e nem que qualquer em que demonstre esse tipo de padrão cerebral vá se tornar um adulto problemático — na verdade, a maior parte deixa esse tipo de comportamento para trás durante seu desenvolvimento.

"Nossa descoberta indica que crianças com problemas de conduta têm uma resposta cerebral atípica ao ver outras pessoas sofrendo. O importante é ver essas descobertas como um indicador de vulnerabilidade, em vez de um destino biológico. Nós sabemos que crianças são bastante suscetíveis a intervenções, e o desafio é fazer essas intervenções ainda melhores", diz Essi Viding, pesquisadora da University College London responsável pelo estudo.

Vulnerabilidade – Os pesquisadores também analisaram as diferenças de comportamento dentro do grupo das crianças com problemas de conduta, separando os indivíduos mais insensíveis e que demonstravam menos emoções. Essa indiferença emocional é uma importante característica dos psicopatas, e sua presença na infância pode ser vista como fator de risco para o desenvolvimento da condição na vida adulta.

Os cientistas descobriram que, em relação à dor alheia, o grupo apresentou uma atividade ainda menor na ínsula anterior e no córtex cingulado anterior. "Nossa pesquisa mostra muito claramente o fato de que nem todas as crianças com problemas de conduta têm a mesma vulnerabilidade neurobiológica — algumas podem ser mais vulneráveis à psicopatia, enquanto outras não. Isso traz a possibilidade de adaptarmos as intervenções existentes para se adequar aos perfis específicos que caracterizam as crianças com problemas de conduta", disse Essi Viding.


Fonte: Veja 

Postado por: Ana Cláudia Foelkel
CRP: 06/86466 - Psicóloga 
(11) 97273-3448