quinta-feira, 7 de março de 2013

TDAH (DDA) - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade


O TDAH é um transtorno de "base orgânica", associado a uma disfunção em áreas do córtex cerebral, conhecida como Lobo Pré-Frontal. Quando seu funcionamento está comprometido, ocorrem dificuldades com concentração, memória, hiperatividade e impulsividade, originando os sintomas do TDAH - déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade.
Normalmente, em atividades como estudo, leitura ou outras que exijam concentração, o cérebro aumenta os níveis de ativação, justamente para dar conta das exigências. Nos casos típicos de TDAH, a característica psicofisiológica mais comum é a hipofunção / hipoativação do córtex pré-frontal, na qual uma quantidade significativa de neurônios pulsam mais devagar que o esperado, especialmente quando as circunstâncias exigem maior esforço mental e, portanto, maior ativação.

As causas do TDAH são exclusivamente orgânicas?

A forma como o cérebro funciona é uma parte importante do problema de quem tem TDAH. Porém, uma pessoa é mais que seu cérebro. E até mesmo o cérebro pode ser mudado.
A busca pelo alívio dos sintomas do TDAH deve passar tanto pela base orgânica - com tratamentos específicos, usando medicação ou neurofeedback – quanto, pelos aspectos comportamentais. Não basta ter um cérebro diferente - é preciso também agir de maneiras novas.
"O histórico familiar para o desenvolvimento desse problema é bastante significativo", destaca a psicóloga Cacilda Amorim, diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção (IPDA). "Há uma linha de hereditariedade bem estudada e documentada. Paralelamente, estilos de vida familiares funcionam como fatores de proteção ou agravamento”.

Existe Déficit de Atenção sem Hiperatividade?

Quando aparece sem a hiperatividade, normalmente há uma lentidão mais intensa, que é interpretada como “viver no mundo da lua”. Normalmente, quando alguém é mais lento, costuma-se interpretar esta característica como tendência a distração. Mas não é a mesma coisa.
Pode também haver HIPERFOCO, simultaneamente à falta de concentração.

Déficit de Atenção impede mesmo a concentração?

O TDAH é uma alteração na capacidade de controle voluntário da atenção. Tanto alguém com déficit de atenção quanto uma pessoa comum podem sim prestar atenção. A diferença é que a pessoa comum pode, voluntariamente, controlar o foco da atenção. Ou seja, não é facilmente perturbada por distrações; caso perca o foco, consegue retornar; consegue sustentar o esforço mesmo em situações pouco estimulantes. No caso do TDAH, a sustentação do foco está diretamente relacionada a características externas ou do próprio estímulo. Por isto, é tão fácil para um TDAH manter o foco no videogame ou em alguma outra coisa que “seja de seu interesse”.

Tipos de TDAH - Como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ocorre

Alguns especialistas consideram que há um número maior de tipos de TDAH, entre eles tipos predominantemente ansiosos, depressivos ou com traços obsessivo-compulsivos, que exigiriam tratamentos diferenciados, como o Dr. Daniel Amen.
Há também dados que mostram a presença de dois tipos distintos de alterações no funcionamento cerebral relacionadas ao TDAH. Um destes tipos é o mais comum e mais conhecido, no qual ocorre hipofunção das áreas frontais. O outro tipo, mais comum em adultos, caracteriza-se pela hiperativação da linha média e das áreas pré-frontais direitas, causando dificuldades de atenção por hiperatividade mental e excesso de preocupações e pensamentos negativos.
Para que os sintomas possam ser indicativos de TDAH, devem estar presentes há pelo menos seis meses, estarem presentes desde a infância e não serem melhor explicados por outro transtorno ou problema.
Lembre-se que um diagnóstico completo só pode ser realizado por um especialista. Na suspeita do transtorno, procure um especialista para uma avaliação e diagnóstico mais detalhado.

TDAH Tipo Desatento - Sintomas e características

·        Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo.
·        Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito).
·        Às vezes parece não ouvir quando o chamam (muitas vezes é interpretado como egoísta, desinteressado...)
·        Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Às vezes capta apenas partes do assunto ou enquanto "ouve" já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
·        Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
·        Dificuldade em seguir instruções, em iniciar, completar e só então, mudar de tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável).
·        Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h).
·        Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um "branco" e a pessoa esquecer o que ia dizer.
Lembre-se que um diagnóstico completo só pode ser realizado por um especialista. Na suspeita do transtorno, procure um especialista para uma avaliação e diagnóstico mais detalhado.

TDAH Tipo Hiperativo-Impulsivo - Sintomas e características

   Inquietação – mexer as mãos e/ou pés quando sentado, musculatura tensa, com dificuldade em ficar parado num lugar por muito tempo. Costuma ser o "dono" do controle remoto.
·        Faz várias coisas ao mesmo tempo, está sempre a mil por hora, em busca de novidades, de estímulos fortes. Detesta o tédio.
·        Consegue ler, assistir televisão e ouvir música ao mesmo tempo. Muitas vezes é visto como imaturo, insaciável.
·        Pode falar, comer, comprar,... compulsivamente e/ou sobrecarregar-se no trabalho. Muitos acabam estressados, ansiosos e impacientes: são os workaholics.
·        Tendência ao vício: álcool, drogas, jogos, Internet e salas de bate papo…
·        Interrompe a fala do(s) outro(s); sua impaciência faz com que responda perguntas antes mesmo de serem concluídas.
·        Costuma ser prolixo ao falar, perde sua objetividade em mil detalhes, sem perceber como se comunica. No entanto, não tem a menor paciência em ouvir alguém como ele, sem dar-se conta que é igual.
·        Baixo nível de tolerância: não sabe lidar com frustrações, com erros (nem os seus, nem dos outros). Muitas vezes sente raiva e se recolhe.
·        Impaciência: não suporta esperar ou aguardar por algo: filas, telefonemas, atendimento em lojas, restaurantes..., quer tudo para "ontem".
·        Instabilidade de humor: ora está ótimo, ora está péssimo, sem que precise de motivo sério para isso. Os fatores podem ser externos ou internos, uma vez que costuma estar em eterno conflito.
·        Dificuldade em expressar-se: muitas vezes as palavras e a fala não acompanham a velocidade da sua mente. Muitos quando estão em grupo, falam sem parar sem se dar conta que outras pessoas gostariam de emitir opiniões, fazer colocações e o que deveria ser um diálogo, transforma-se num monólogo que só interessa a quem está falando.
·        A comunicação costuma ser compulsiva, sem filtro para inibir respostas inadequadas, o que pode provocar situações constrangedoras e/ou ofensivas: fala ou faz e depois pensa.
·        Tem um temperamento explosivo: não suporta críticas, provocações e/ou rejeição. Rompe com certa facilidade relacionamentos de trabalho, sociais e/ou afetivos.
·        Pode mudar inesperadamente de planos, metas…
·        Sexualidade instável: pode alternar períodos de grande impulsividade sexual com outros de baixo desejo.
·        Hipersensibilidade: pode melindrar-se facilmente, tendo uma tendência ao desespero, como se seu mundo fosse desmoronar-se a qualquer instante, incapacitando-o muitas vezes de ver a realidade como ela realmente é, e buscar soluções.

TDAH Tipo Misto / Combinado: Sintomas e Características

Lembre-se que um diagnóstico completo só pode ser realizado por um especialista. Na suspeita do transtorno, procure um especialista para uma avaliação e diagnóstico mais detalhado.
Se você se identificou com os sintomas principais do TDAH, faça o Teste Online para TDAH ou veja a lista completa dos TESTES ONLINE do IPDA, incluindo ansiedade, baixa auto-estima, depressão, stress / esgotamento (Síndrome de Burnout) e outros problemas que também levam a problemas parecidos com o TDAH.

Para se responder se o tratamento sem para medicação para TDAH é mesmo possível, um primeiro aspecto que deve ser analisado é: o TDAH é um problema de base orgânica - ou seja, tem relação com padrões específicos de funcionamento cerebral. Contudo, isto não quer dizer que todas as dificuldades se reduzam a esta base orgânica. Deve-se levar em conta também que a intensidade do problema pode variar - dos casos mais leves até os mais graves. Finalmente, é preciso levar em conta que, uma vez que uma alteração orgânica relevante pode fazer parte do problema, como ela será incluída no plano de tratamento.

Tratamento sem medicação para TDAH: É mesmo possível?

Um bom exemplo relacionado ao TDAH é: uma criança que seja portadora de TDAH com hiperatividade e que, ao mesmo tempo, está acima do peso desde muito cedo, é assediada por seus colegas de sala, sendo chamada de "baleia orca" ou 'Free Willy" e que declara detestar a escola. O TDAH é parte do problema, com certeza. Contudo, é incorreto esperar que o caso será bem atendido apenas baseando o tratamento em medicação psicotrópica para a desatenção ou hipertividade, como a Ritalina ou Concerta. Este caso é um exemplo no qual um componente não medicamentoso deve ser obrigatoriamente incluído no tratamento.
A medicação com estimulantes, como a ritalina, é uma das alternativas para as alterações orgânicas. Porém esta não é a única alternativa. O Neurofeedback é um tipo de tratamento direcionado a alterar os padrões de funcionamento cerebrais, de forma natural e não invasiva. Ambos os tratamentos tem seus aspectos positivos e outros não tão positivos. A medicação tem efeito rápido, porém o efeito dura apenas o tempo em que a pessoa está medicada - em torno de 4 a 6 horas. Além disso, o tratamento com remédios não tem prazo para terminar. No caso do Neurofeedback, o tratamento é mais longo (pelo menos 6 meses) e os resultados não são imediatos - o lado positivo é que os efeitos são igualmente de longo prazo e se mantém mesmo após o término do tratamento. Veja mais sobre a comparação entre os tratamentos com Neurofeedback e ritalina.
Ou seja, há mais de uma alternativa para tratar o TDAH - não apenas medicamentos estimulantes. O importante entender que os problemas tem causas múltiplas, é começar com um bom diagnóstico diferencial e um plano de tratamento, que leve em conta tanto as necessidades de curto e longo prazo - e a possibilidade de terminar um tratamento sem perder os ganhos adquiridos.

TDAH tem cura? Não, mas pode e deve ser controlado 

Quando se usa medicação, seu efeito é provisório - permanece pelo tempo que a substância estiver no organismo. No caso da Ritalina 10mg, dura em torno de 4 horas. Prescrições de longa duração podem durar entre 6 e 8 horas. Quando o efeito do remédio acaba, todos os sintomas retornam.
Se a escolha pelo tratamento é baseada exclusivamente em drogas psicoestimulantes (o caso da Ritalina), não há perspectivas em abandonar a droga. Ou seja, um tratamento com remédio - ritalina ou outro - é um tratamento para o resto da vida. Esta é a principal razão pela qual muitas pessoas são contra a alternativa medicamentosa - há o desejo de libertar-se, a si ou a seus filhos, de um tratamento com droga psicotrópica sem prazo para terminar.
A medicação normalmente traz um efeito de curto prazo e bastante eficaz. Entretanto, ela não ensina nada à pessoa – quando seu efeito acaba, tudo volta ao estado inicial. Outras alternativas, como o Neurofeedback, a Psicoterapia Comportamental-Cognitiva e o Coaching Comportamental levam a ganhos permanentes, pois envolvem processos de aprendizagem e, desta forma, preparam a pessoa para lidar melhor com as limitações do TDAH ou até mesmo a superá-las.
É preciso ressaltar que o fato da medicação produzir efeitos limitados não significa que ela não deva ser usada como parte de um plano de tratamento, quando corretamente indicada. Significa, antes, que qualquer modalidade de tratamento deve levar em conta tanto o alívio dos sintomas quanto a necessidade de desenvolver novas competências, habilidades e padrões de comportamento.
Para melhores resultados, os tratamentos devem levar em conta as deficiências e necessidades específicas do caso, aliando formas de educação, treinamentos e terapias, além de medicação. Considerar apenas o fator orgânico - cerebral - normalmente leva à frustração e à desistência do tratamento.
Todas estas siglas fazem referência aos problemas centrais que caracterizam o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade.

Pode ser descrito como TRANSTORNO ou DISTÚRBIO, por isto T ou D. DDA é a sigla mais antiga e atualmente menos usada, referente Distúrbio de Déficit de Atenção.

A Desatenção pode vir acompanhada de Hiperatividade e impulsividade, assim as variam de acordo. Em inglês, os termos mais comuns são ADD and ADDH - Attention Deficit Disorder with Hiperactivity.

TDAH - Diagnóstico e tratamento especializados para TDAH - Déficit de Atenção e Hiperatividade no IPDA - Instituto Paulista de Déficit de Atenção


Clínica especializada em diagnóstico e tratamento de TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ansiedade, depressão, problemas de aprendizagem e comportamentais que prejudicam o desempenho estudo, trabalho e relacionamentos.


TDAH e Hiperatividade: Como ajudar?

Se distração, hiperatividade, agitação, bagunça, impulsividade, esquecimento, desorganização, adiamento crônico são muito intensos, é possível ser um caso de TDAH (DDA) - Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade. Neste caso, vale a pena procurar um especialista em TDAH. Conseguir um bom diagnóstico e indicações de tratamento são essenciais para conseguir melhor desempenho nos estudos, no trabalho e mais qualidade de vida. 

Fonte: http://www.dda-deficitdeatencao.com.br

Postado por: Ana Cláudia Foelkel
CRP: 06/86466
Psicóloga Clínica e Organizacional
Consultoria R&S e T&D
(11) 97273-3448

DESORGANIZAÇÃO SOCIAL


"A desorganização social designa uma perturbação da cultura existente por mudança social, evidenciada
por falha dos controles sociais tradicionais, confusões de papel, códigos morais conflitantes e confiança
em declínio nas instituições”. (1980, Horton e Hunt -Sociologia. São Paulo: McGraw-Hill).

É a perda de influência das regras sociais de conduta existentes sobre os membros do grupo.




Uma sociedade em mudança desenvolve problemas sociais, pois não há mudança social que deixe 
inalterado o resto da cultura. Todos os novos elementos perturbam a cultura existente.

"Se uma cultura é bem organizada, com todos os seus traços e instituições bem ajustados, 
mudança em qualquer um deles desorganizará esta disposição. No mundo atual, a mudança é mais
rápida nos países em desenvolvimento. À medida que um país se aproxima da plena “modernização”,
a taxa de mudança torna-se mais lenta. Por isso são os países em desenvolvimento que estão a sofrer
a maior desorganização, tanto pela sua alta taxa de mudança como pela sua relativa falta de
familiarização com o processo de mudança" (Horton e Hunt).

Alvin Toffler cunhou o termo "choque do futuro" para designar tensões e ansiedades provocadas pela
mudança rápida.

Numa cultura fortemente desorganizada, o sentido da segurança, da moral e da finalidade da
vida danifica-se e as pessoas sentem-se confusas e inseguras. Existem pesquisas recentes que 
confirmam que a tensão e a ansiedade estão associadas à taxa de mudança percebida. Duvida-se 
ainda que se consiga fazer as mudanças necessárias para combater os problemas da explosão
populacional, poluição e desgaste dos recursos naturais. Horton e Hunt referem que todas as
sociedades em mudança rápida têm muitos desfasamentos culturais (intervalo entre o aparecimento 
de um novo traço e a adaptação a ele) e são, de certo modo, desorganizadas. Daí que, para fazer face 
aos desperdícios e custos inerentes à mudança social, se tente cada vez mais o planejamento social
como tentativa de controlar a situação.



Postado por: Ana Cláudia Foelkel
CRP: 06/86466
Psicóloga Clínica e Organizacional
Consultoria R&S e T&D
(11) 97273-3448

NEGLIGÊNCIA X FALTA DE AUTONOMIA


Todos os dias deparamos com matérias e pesquisas que evidenciam os “muitos problemas na gestão humana e organizacional”. São problemas como: baixo salário, falta de benefícios, assédio, desvio de função, stress, desmotivação, etc... Mas diante de tudo isso, onde está o RH?

É perceptível que em muitas empresas principalmente nacionais de pequeno e médio porte que o RH não tem cumprido com o seu papel, permitindo a abertura de brechas que resultam nas situações citadas. Isso demonstra a falta de capacitação e maturidade dos gestores da área, que em muito das vezes se omitem, invés de contradizer as loucuras de determinados empresários que cada vez mais alimentam as cinzas do trabalho escravo no país, em prol da sua sustentabilidade doentia.



Portais de empregos afirmam que o país nunca teve um número de oferta de empregos tão elevado. Mas qual é o perfil dessas vagas? São vagas totalmente dislexias, onde muito se exige do profissional e pouco se oferece em troca. 
                                                                 E onde está o RH nisso?

 É claro que nem tudo é culpa do setor e o seu gestor, porém, a patologia da incompetência tem assombrado o RH, situação que cada vez mais desvaloriza os profissionais da área no mercado, pois  improbidades como estas mencionadas no texto depreciam a sua imagem e credibilidade.

Mas o que fazer? Chegou o momento em que os profissionais de RH façam jus a sua formação e experiência, colocando em prática o seu conhecimento humano e trabalhista, motivados por sua paixão em gestão de pessoas e orientados pela ética e a moral.

Muitos dizem que o RH é o coração das empresas, e se isto é uma verdade está na hora de curá-lo, antes que seja tarde demais.

São também, muitos casos em que as empresas não permitem que o seu profissional de RH atue de maneira mais efetiva e sendo assim, está deixando também de ser motivado.

A teoria, as técnicas são muito bonitas no papel, mas na prática ainda somos números, e as coisas não acontecem bem assim.

Fonte: Marco Vasconcelos.

Postado por: Ana Cláudia Foelkel
CRP: 06/86466
Psicóloga Clínica e Organizacional
Consultoria R&S e T&D
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

COMPORTAMENTO NO PROCESSO SELETIVO




C. A., 41, foi demitido no ano passado por, nas palavras dele, "criar um clima organizacional não favorável". Ele diz que não conseguia lidar com a pressão de seus chefes e acabava descontando nos profissionais que liderava. "Ultrapassava o limite e colocava a equipe contra mim", conta.


Por isso, a análise da personalidade dos candidatos, em quesitos como adaptação a novos ambientes, capacidade de trabalhar em equipe e flexibilidade ganharam importância nos processos de seleção.
Essas características, em alguns casos, podem pesar mais do que o currículo técnico.

"Sinceramente, [elas] são mais importantes", diz Alexandre Ullmann, gerente de recursos humanos da Microsoft. "Hoje, as empresas estão olhando não só o que o funcionário entrega, mas como faz isso. Se a pessoa pressiona a equipe de modo não saudável, não é colaborativa e não pensa no resultado comum, não é suficiente."

Quando concorreu a uma vaga para chefiar uma equipe de programadores em uma empresa de rede social voltada para vendas, C.J.S., 49, não passou por provas para ser testado em suas habilidades técnicas. "Eu até estranhei não fazerem um teste --não sentar em frente a um computador. Foi mais um bate-papo para traçar meu perfil", conta.

Ele diz ter conseguido o emprego por ser "calmo" e saber como tratar de modo diferente cada membro da equipe, de acordo com os pontos fracos e fortes de cada um.

A melhora da educação no Brasil também aumenta a importância da análise comportamental dos candidatos na hora de contratar alguém.

"Até na hora de escolher um trainee isso é avaliado. Você pode ter duas pessoas que estudaram nas mesmas escolas e passaram por empresas parecidas, então tem de desempatar com base no perfil comportamental."

LUGAR CERTO

A exigência de características varia de acordo com a vaga (se o trabalho exige capacidade de comunicação, por exemplo) e com a empresa, cuja cultura pode pedir traços mais formais ou informais de comportamento.

"Muita gente pensa que o bom perfil é o do 'showman', mas nem sempre é assim. Um profissional muito expansivo pode não ser bem visto para a área contábil, que exige alguém mais analítico".

Há um certo grupo de características que é indicado para a grande maioria dos profissionais.

"A pessoa que tem jogo de cintura e é hábil na comunicação, que consegue conversar com o presidente e o operário, que desperta simpatia em todos os meios da empresa e trata as relações de trabalho com otimismo, acaba se destacando."


E, de acordo com os recrutadores, algumas habilidades que se tornaram até clichês em currículos, como "capacidade de trabalhar em equipe", passam por um processo de refinamento.
"Hoje, mais do que saber trabalhar em grupo, a pessoa precisa ter capacidade de lidar com pessoas de culturas muito diferentes, porque o Brasil está recebendo muito investimento estrangeiro".

F.C., 42, foi contratado como gerente de compras de uma multinacional do ramo siderúrgico justamente por essa capacidade. A função exigia um profissional que soubesse administrar a pressão de lidar com acionistas alemães e brasileiros e comprar equipamentos e materiais de fornecedores de diferentes países.

"Você precisa comprar um equipamento gigantesco, com prazo apertado, aprovar essa aquisição com dois conselhos administrativos e fazer cotações com fornecedores de várias nacionalidades", destaca C.. Ele conta que aprendeu a trabalhar em ambientes assim ao atuar em outras multinacionais no Brasil e na Alemanha.

INFÂNCIA

O modo mais corriqueiro de testar essas capacidades é a chamada "entrevista por competências", em que o recrutador pede que o candidato conte fatos de sua carreira em pontos específicos, como "conte sobre uma situação em que você precisou tomar uma decisão difícil" ou "diga quais eram as suas metas no seu emprego anterior e como fazia para atingi-las".

"Você vai por um caminho em que a pessoa é obrigada a relatar vários posicionamentos frente a situações corriqueiras que enfrentou". "Mesmo que a pessoa minta, é difícil que ela não revele qual é a opinião dela."
Nesses casos, não há uma resposta certa ou errada. A ideia é detectar nas respostas qual é o comportamento típico do profissional nessas situações e analisar se elas estão alinhadas ao perfil da vaga e da empresa.

Esse tipo de pergunta também serve para verificar se o candidato tem vivência suficiente para o cargo.
"Se eu pergunto sobre uma frustração que a pessoa teve no trabalho e ela fala sobre algo simples, mas que, mesmo assim, se mostrou um martírio, isso pode indicar que ela não tem muita maturidade, ainda não viveu conflitos importantes".

É possível que o selecionador ligue para antigos colegas e chefes para verificar traços comportamentais do postulante ao emprego.

Mas há empresas que vão além disso na análise da personalidade dos futuros funcionários. Em uma empresa que oferece serviços de pagamento on-line, o candidato é questionado sobre como era seu comportamento na infância, qual é a estrutura de sua família e como se comportava na escola ou na faculdade.

"Queremos saber se ele tomava a frente do grupo ou apenas era um integrante, se gostava de apresentar trabalhos na frente das pessoas ou só de organizar".

A companhia, em geral, busca profissionais com perfil competitivo e, por isso, questiona até qual atividade física o candidato pratica. De acordo com o esporte escolhido pode indicar se a pessoa gosta menos ou mais de estar em uma competição.

E.M., 23, foi contratado no ano passado como analista comercial da companhia, mesmo sem ter grandes conhecimentos técnicos a respeito de comércio virtual, que é a área de atuação da empresa --ele estuda relações internacionais. Afirma que o fato de ter informado durante a entrevista que é atleta federado de polo aquático, um esporte que exige muito contato físico e pode ser agressivo, contou para a contratação.
"O fato de treinar um esporte que exige raça e espírito de equipe ressaltou a minha característica de competitividade durante o processo", diz E.M..


HORA DA MUDANÇA

Especialistas dizem que essas capacidades comportamentais podem ser treinadas mesmo por quem não as têm naturalmente, mas isso exige esforço. O "coach" L. C. B. diz que o processo pode ser "doloroso". "A pessoa precisa chegar a um nível de autoconhecimento muito grande."

O primeiro passo é fazer uma avaliação de si mesmo, e perceber quais são os pontos fracos -- como dificuldade de comunicação ou de manter a calma em situações de estresse. Depois, é indicado conversar com colegas para verificar se essas impressões estão corretas.

"É comum que a pessoa diga: 'Sou desse jeito', mas, na verdade, os outros a vejam da forma inversa", diz F.R., diretora de desenvolvimento de talentos de uma empresa de consultoria. "Ela pode ter uma percepção invertida por se forçar a ser assim, mas na prática não ser."

É preciso que o profissional se desafie a mudar esses traços, o que é "mais complicado do que desenvolver a parte técnica [necessária para uma vaga]".
"Se não se colocar em momentos em que precisa vencer a timidez e falar com o público e com clientes e se não se exercitar, não consegue."

"Se um extrovertido vai para uma empresa formal, em que ele precisa operar de modo silencioso, vai ter muita dificuldade de se adaptar. Ele vai gastar muita energia nisso e pode ser menos produtivo". É possível recorrer a treinamentos para desenvolver aspectos comportamentais.

A.L.M., depois de ser demitido no ano passado, participou de um curso em um instituto, no Rio de Janeiro, que trabalha com profissionais que querem melhorar a chamada "inteligência emocional". "Você treina as suas emoções para eliminar comportamentos inadequados", conta. Ele conseguiu outro emprego e hoje consegue lidar melhor com a equipe.


Fonte: Folha de S. Paulo: http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/1224720-comportamento-se-torna-principal-criterio-na-disputa-por-vaga-de-emprego.shtml



Postado por: Ana Cláudia Foelkel 
CRP 06/86466
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