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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Transtorno do Estresse Pós-Traumático

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais em decorrência de o portador ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que, em geral, representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros. Quando se recorda do fato, ele revive o episódio, como se estivesse ocorrendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento que o agente estressor provocou. Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais.
Aproximadamente entre 15% e 20% das pessoas que, de alguma forma, estiveram envolvidas em casos de violência urbana, agressão física, abuso sexual, terrorismo, tortura, assalto, sequestro, acidentes, guerra, catástrofes naturais ou provocadas, desenvolvem esse tipo de transtorno. No entanto, a maioria só procura ajuda dois anos depois das primeiras crises.
Recente pesquisa desenvolvida pela UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e por outras universidades brasileiras, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, levantou a hipótese de a causa do transtorno estar no desequilíbrio dos níveis de cortisol ou na redução de 8% a 10% do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas localizadas no cérebro.
Sintomas 

Os sintomas podem manifestar-se em qualquer faixa de idade e levar meses ou anos para aparecer. Eles costumam ser agrupados em três categorias:
a) Reexperiência traumática: pensamentos recorrentes e intrusivos que remetem à lembrança do trauma, flashbacks, pesadelos;
b) Esquiva e isolamento social:  a pessoa foge de situações, contatos e atividades que possam reavivar as lembranças dolorosas do trauma;
c) Hiperexcitabilidade psíquica e  psicomotora: taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância.
É comum o paciente desenvolver comorbidades associadas ao TEPT.
Diagnóstico
O DSM-IV (Manual de Diagnóstico dos Distúrbios Mentais) e o CID-10 (Classificação Internacional das Doenças) estabeleceram os critérios para o diagnóstico do transtorno do estresse pós-traumático.
O primeiro requisito é identificar o evento traumático (agente estressor), que tenha representado ameaça à vida do portador do distúrbio ou de uma pessoa querida e perante o qual se sentiu impotente para esboçar qualquer reação. Os outros levam em conta os sintomas característicos do TEPT.
Tratamento
São opções de tratamento a psicoterapia e a indicação de medicamentos ansiolíticos, quando necessários.
Recomendações
* Preste atenção: o número de diagnósticos de transtorno do estresse pós-traumático tem aumentado nas últimas décadas. Procure assistência médica e psicológica, se apresentar sintomas que possam ser atribuídos a esse distúrbio da ansiedade;
* Lembre-se de que a ocorrência de um agente estressor não significa que a pessoa vai desenvolver TEPT: algumas são mais vulneráveis e predispostas;
* Não subestime os sintomas do transtorno em crianças e idosos depois de terem vivenciado situações traumáticas.
Fonte: drauziovarella.com.br
Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões - Psicóloga (11) 97273-3448

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cura para o Mal de Parkinson

Terapia genética: abordagem está sendo submetida a um teste preliminar com pequeno grupo de pacientes humanos, os quais mostraram sinais promissores de melhora.
Uma potencial terapia genética para o Mal de Parkinson é capaz de corrigir déficits motores em macacos sem causar os movimentos involuntários e espasmódicos que geralmente acompanham os tratamentos a longo prazo para a doença.
No momento, o tratamento mais comum para o Mal de Parkinson consiste na reposição da dopamina – neurotransmissor que está ausente nos portadores da doença – pela administração de um precursor da dopamina – a levodopa ou L-DOPA. A maior parte dos pacientes, no início do tratamento recupera o controle motor num nível muito próximo ao normal, mas depois de vários anos de uso do L-DOPA os pacientes passam a sofrer com debilitantes efeitos colaterais físicos e psicológicos.

NEUROTOXINA POTENTE
Para corrigir essa situação Stephane Palfi, neurocirurgião do Institute of Biomedical Imaging pertencente à Comissão de Energia Atômica Francesa, em Orsay, e seus colegas, entre os quais pesquisadores da Oxford, no Reino Unido, resolveram recorrer à terapia genética. Primeiramente, eles administraram em macacos uma neurotoxina muito potente capaz de fazer com que os animais desenvolvessem tremores corporais, postura instável e severa rigidez nas juntas – todos indicadores de um estágio avançado do Mal de Parkinson. A seguir, os pesquisadores injetaram no cérebro dos macacos três genes essenciais para a síntese da dopamina. Eles puderam perceber melhoras significativas no comportamento motor depois de apenas duas semanas, sem quaisquer sinais visíveis de efeitos colaterais.
“Não percebemos quaisquer problemas nesses macacos”, afirmou Palfi.
Um dos animais chegou a exibir recuperação sustentada mais de três anos e meio após o procedimento. Surpreendentemente, os macacos não exibiam os movimentos espasmódicos e descontrolados que ocorrem à maioria dos pacientes humanos e macacos após prolongado tratamento oral com L-DOPA.
“O sucesso obtido com os macacos abre caminho para futuros estudos com seres humanos”, disse Palfi, que relatou seus resultados com animais na revista científica Science Translational Medicine.
“Esta é a situação exata que encontramos em nossa prática clínica”, ele afirmou. A equipe de Palfi já testou duas diferentes doses de um vírus que contém três genes, em seis pacientes humanos, e agora está investigando uma dose intermediária que se equipare àquela utilizada nos macacos, feitos os necessários ajustes de acordo com o tamanho do cérebro. “Depois que os pesquisadores tiverem encontrado a dose ótima, eles planejam avançar com o tratamento experimental para a Fase II de testes”, disse Palfi.

TUDO OU NADA
A técnica de Palfi não é a única terapia genética atualmente adotada para o Mal de Parkinson. Alguns pesquisadores estão utilizando genes que fornecem fatores de crescimento, que possam impedir a morte dos neurônios produtores de dopamina. Outros estão introduzindo genes que inibem a atividade neural excessiva associada ao Mal de Parkinson, da mesma maneira que no procedimento cirúrgico conhecido como estimulação cerebral profunda. E há ainda outros pesquisadores que se concentram em genes únicos – em vez de três – para atuar na síntese de dopamina.
A equipe de Palfi, no entanto, foi a primeira a utilizar em um primata todos os três genes de dopamina num único vetor viral. O objetivo dessa abordagem é eliminar a necessidade de L-DOPA e dessa forma seus efeitos colaterais. “Mas o uso dessa técnica significaria que os clínicos já não mais seriam capazes de ajustar os níveis de dopamina do cérebro de acordo com as necessidades do paciente”, observou Jamie Eberling, diretor associado dos programas de pesquisa da Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research, em Nova York.
Como membro da equipe de pesquisadores do Lawrence Berkeley National Laboratory, em Berkeley, na Califórnia, Eberling participou da Fase I de teste de uma terapia genética que substituía apenas um dos genes associados à dopamina, com a finalidade de reduzir os efeitos colaterais.
Com a abordagem do gene único, “nós poderíamos controlar os níveis de dopamina, apesar de que não poderíamos controlar a expressão do gene; já com essa abordagem dos três genes, não é possível controlar nenhum dos dois fatores”, disse Eberling.
RESPOSTAS NEURAIS HIPERATIVAS
Michael Kaplitz, neurocirurgião do Weill Conell Medical College de Nova York, ajudou a conduzir um teste de terapia genética para mitigar respostas neurais hiperativas e adverte que é difícil extrapolar os resultados obtidos com os macacos para os humanos porque a substância química utilizada para induzir os sintomas do Mal de Parkinson destrói neurônios com rapidez muito maior do que a doença costuma destruir em humanos.
Ainda assim, ele disse “quanto mais dados com animais tivermos para embasar um estudo com humanos e quanto mais dados com humanos obtivermos, mais seremos capazes de compreender quais têm sido os obstáculos para um desenvolvimento bem-sucedido, assim como para a transposição das terapias genéticas para a prática clínica”.


Fonte: Nature Review - Psique Ciência & Vida

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões