segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Filhos Opositores

Meu filho (a) me enfrenta e responde mal
    
Ao chegar à adolescência o jovem começa a questionar valores e até mesmo as ordens e obrigações que lhe são impostas. Os pais que estavam acostumados com aquela criança que obedecia com facilidade, que talvez fizesse alguns protestos, batia o pé, mas por fim obedecia, com certeza irão se assustar e até se intimidar diante de um projeto de adulto que tenta se impor e se opor diante deles. Tenha a clareza que isso não ocorre só na sua casa, isso, é algo natural e saudável quando dentro de um limite. Na vida adulta temos que enfrentar muitas dificuldades e adversários mais fortes do que nós. Dessa forma, para o adolescente enfrentar os pais é como um treino para enfrentar o mundo. 
Isso não quer dizer que você deva ceder a todas as vontades e desmandes do adolescente, pelo contrário o mundo não é assim. Alem disso, sendo o adolescente imaturo e inexperiente, suas vontades podem colocá-lo em situações de risco e você como guardião legal tem obrigação de protegê-lo. 

O que fazer então? 
- É necessário que você mantenha a firmeza e a convicção do que você está falando, para isso você precisa estar certo de que o que você está a falar é realmente verdade e é o melhor para o adolescente. Essa certeza se adquire através da reflexão sobre o tema. 
Exemplo: se você não quer que seu filho (a) chegue tarde em casa, pense em todos os motivos que tem para isso: 
 ·       A criminalidade das ruas
 ·       A truculência da policia 
 ·      Más companhias...

Junte todos os argumentos possíveis ao seu favor, pois com certeza o seu filho (a) já fez isso antes de você, e até deve ter se “consultado” com um amigo mais experiente no assunto. Converse com outras pessoas sobre esse assunto com o seu cônjuge, professores do seu (sua) filho (a), vizinhos, pais dos amigos dele (a), se possível converse com um psicólogo. 

Não se intimide! 

- Ao falar “grosso”, gritar ou dizer que as “coisas mudaram” o adolescente está querendo vencer pelo terror, mostrar que não precisa mais de você ou que suas ideias estão ultrapassadas, coisas que nem eles acreditam de fato. É preferível que evite discutir no momento da raiva (discutir com criança não dá, não é?) retome o diálogo quando o (a) adolescente estiver mais calmo. 

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica - (11) 97273-3448

terça-feira, 20 de outubro de 2015

STRESS INFANTIL E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A VIDA ADULTA



Inevitavelmente, toda criança enfrentará inúmeras situações de stress ainda nos primeiros anos de vida, tais como hospitalizações, acidentes, doenças, nascimento de irmãos, mudança de casa, de escola e de empregada, além das tensões geradas pela necessidade sempre maior de se autocontrolar.

As múltiplas etapas de desenvolvimento intelectual, emocional e afetivo trazem consigo a oportunidade do indivíduo desenvolver seu potencial genético. Porém, estas etapas são também assinaladas por inúmeras situações geradoras de tensão, muitas vezes incapacitantes para às crianças e para o seu frágil mecanismo de combate ao stress, como, por exemplo, o treino de toalete, a retirada da chupeta e o ingresso na escola.

A maioria das crianças reage ao stress com sintomas imediatos, como birras, hiperatividade, enurese e medos excessivos. Os pais, na maioria das vezes rapidamente percebem que o stress é demasiado para aquela criança e imediatamente tentam diminuir a tensão à qual ela está sujeita. 
Em geral, tudo isto é feito de modo intuitivo, sem sequer os pais saberem que estão lidando com o fenômeno “stress”. Problemas surgem, de fato, quando a tensão é extrema ou quando os adultos deixam de entender os sintomas da criança. Nestes casos, os danos emocionais e físicos podem ocorrer e se manterem por longos períodos de tempo.

Em muitas ocasiões, a criança que não aprendeu a lidar com o stress poderá tornar-se um adulto fragilizado, altamente vulnerável ao stress e, consequentemente, um ser humano que poderia ser considerado de alto-risco quanto à aquisição de várias enfermidades, cuja ontogênese é o stress.(Marilda Lipp).

Uma situação pode ou não ser estresssante para uma criança dependendo do estágio de desenvolvimento emocional em que ela esteja. Aquilo que talvez tenha um efeito menos grave em um bebê de 3 meses, que ainda não se percebe como um ente separado dos outros, pode afetar drasticamente uma criança de 18 meses, como uma separação da mãe. O nível de ansiedade e desconforto que esta separação vai acarretar dependerá, certamente, do seu nível de amadurecimento emocional/social e também do seu estágio de desenvolvimento intelectual. 
Primeiro, porque o nível de desenvolvimento da criança influencia como ela percebe e sente o que se passa ao seu redor. Por outro lado, o desenvolvimento emocional/social, com suas etapas às vezes difíceis de serem identificadas em cada criança, apresenta seus próprios conflitos.

Cada estágio deste desenvolvimento, como proposto por Erickson (1963), apresenta seus próprios problemas e conflitos a serem resolvidos e suas fontes específicas de ansiedade e stress. A criança, à medida que amadurece, muda sua maneira primitiva de lidar com o stress e incorpora em seu repertório novas estratégias de resposta.

Vários autores enfatizam que as experiências pelas quais o ser humano passa, geram uma aprendizagem que determina seu comportamento futuro. Na área do stress, esta afirmação é extremamente relevante, pois, como observado por Lipp e Romano (1987), há crianças que parecem ser praticamente invulneráveis às tensões da vida, enquanto outras são muito sensíveis ao stress. A maneira pela qual a criança lida com seu stress vai determinar sua resistência às tensões da vida adulta.

Quando a criança consegue lidar bem com seu meio ambiente; quando este não lhe impõe a necessidade de exibir uma resistência acima de sua capacidade – ainda limitada; quando a ansiedade gerada pela vida não está além de sua capacidade de lidar com ela e a criança consegue se adaptar às tensões, ela cresce para ser um adulto mais competente no manejo do stress.

Quando, no entanto, as circunstâncias da vida são exageradamente estressantes e não permitem uma adaptação saudável, reações ao stress inadequadas são aprendidas, a pessoa terá na idade adulta a tendência de emitir estas respostas inapropriadas nas horas de tensão. Sendo elas respostas inadequadas, frequentemente são ineficientes na resolução das dificuldades e, deste modo, tornam-se fontes internas de stress e acrescentam sua própria contribuição para que um nível ainda maior de stress seja gerado.

Vê-se, então, que o ensino de estratégias de controle do stress é importante não só para que a criança possa lidar com o seu stress diário, mas também como um preparo para a vida adulta.

O ensino de estratégias para o controle do stress é, em geral, realizado pelos pais de modo natural e não programado, à medida que as tensões surgem no dia-a-dia. Deste modo, os pais se tornam o principal veículo para transmissão de conhecimentos no controle do stress. Vê-se, portanto, que as atitudes parentais são de fundamental importância para que a criança – através dos seus vários estágios de desenvolvimento emocional – adquira uma resistência às tensões não só da infância, mas também do mundo adulto.

Fonte: Marilda Lipp

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica - (11) 97273-3448

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

CRIANÇA PRECISA DE PSICOTERAPIA?

Como psicoterapeuta, percebo que é cada vez maior o número de pais que solicitam atendimento psicológico a seus filhos, inclusive para os muito pequenos (com idade entre 3 e 4 anos). Tais solicitações, invariavelmente, me fazem questionar e avaliar a real necessidade e demanda daquele que me procura. Será que estas crianças realmente precisam de psicoterapia? O que leva esses pais a me procurarem? 
Observo que a busca pela psicoterapia infantil, originada por conta própria, por encaminhamento de outros profissionais ou pessoas próximas, quase sempre é um pedido de ajuda para a criança. Solicitações iniciais e diretas para orientação de pais ou da família são raras, uma vez que prevalece a ideia de que quando a criança apresenta um sintoma ou sofre é ela quem deve ser cuidada. Aqui, enfaticamente, digo: nem sempre! As manifestações apresentadas pelas crianças podem apenas estar encobrindo outras que precisam ser reveladas.
Muito dos sintomas manifestos pela criança relaciona-se a questões de ordem social e/ou familiar. Situações de desavenças, discussões, competições, rejeições, entre outras, vividas direta ou indiretamente em seu ambiente, acarretam na criança sentimentos e comportamentos julgados como inadequados. Nestes casos, a criança  está como porta-voz de um sintoma mais amplo, e não como aquela que origina a situação. Somente uma avaliação minuciosa da história individual e familiar da criança permite avaliar a origem do sintoma e, assim, saber a quem deve recair o olhar terapêutico.
Minha experiência mostra que há ocasiões em que a orientação e o suporte oferecido aos pais (quando necessário à escola e a outros adultos responsáveis pela educação da criança), fazem com que não haja necessidade da criança se apresentar a mim como terapeuta infantil. Juntos, conseguimos oferecer a ela apoio suficiente para que entenda, elabore e supere suas dificuldades. Isso é muito importante, e de total implicação dos envolvidos nos cuidados com os pequenos.
Então, fica a pergunta: quando a psicoterapia infantil é realmente necessária?
Toda criança tem preocupações e desconfortos que se mostram através de irritabilidade, tristeza, choro, birras, brigas, isolamento, dentre outros. Um tanto disso faz parte da natureza humana e se resolve com a intervenção de uma pessoa próxima capaz de nomear e ajudar a criança a entender e a lidar com o que ela vivencia.
Quando é difícil para o adulto fazer esta ponte, a orientação de pais pode ser uma alternativa. No entanto, quando o sofrimento da criança é muito grande, apenas a intervenção de seus cuidadores pode não ser suficiente para ela compreender o que está vivenciando. Isso é bastante comum nos casos em que as crianças estão fortemente impactadas por fatores diretamente ligados a ela, como separações, perdas, mudanças, doenças, etc. Nessas situações, a psicoterapia infantil é recomendada para que o terapeuta, junto com a criança, possa ir construindo o sentido de tal sofrimento.
Além disso, crianças vão à terapia quando apresentam dificuldades recorrentes relacionadas a seu desenvolvimento (principalmente afetivo-cognitivo) que podem interferir na formação de sua personalidade. Por exemplo, crianças muito introspectivas e inseguras, que têm dificuldade em sair do lado dos pais, ou crianças que apresentam medos intensos, que atrapalham seu crescimento,  a formação da autoestima e prejudica seus relacionamentos sociais – ficam distantes, não brincam e não exploram os ambientes e pessoas.
O terapeuta é um profissional capacitado a ajudar a criança e os pais/responsáveis a (re)conhecer suas dificuldades, conflitos, sentimentos, direcionando-os. Assim, desfaço aqui a ideia de que terapia “conserta” o que não está dando certo com passes de mágica. O trabalho, para que tenha sucesso, é feito em parceria.  Aliás, a família é fundamental para a construção de um diagnóstico e prognóstico em conjunto.
Fonte: Veronica E. de Carvalho

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica - (11) 97273-3448

terça-feira, 8 de setembro de 2015

ADOÇÃO

A adoção segundo a idade das crianças
As conversas com seu filho deverão ser adequadas à sua etapa de desenvolvimento, temperamento e influências externas. Os filhos adotados durante sua infância experimentam a dor da separação de seus pais biológicos. Todas as crianças adotadas devem ajustar-se às novas imagens, novos sons, novos odores e novas experiências. Durante as primeiras etapas de comunicação, os pais têm uma perfeita oportunidade de começar a compartilhar com a criança o tema da adoção de uma forma tranquila e cômoda, para construir assim os cimentos de futuros diálogos.


Quando seu filho adotado é pequeno
- Utilize com frequência a palavra adoção. Isso lhes dará a oportunidade de acostumar-se a dizer a palavra sem sentir-se incômodos ou pouco à vontade.
- Utilizem a palavra adoção em um momento em que estejam próximos ao seu filho.
- Utilizem a palavra adoção de forma espontânea. Não a digam com muita frequência, só quando pareça natural fazê-lo.
Seu filho, evidentemente, não compreenderá esses assuntos completamente, mas começará a familiarizar-se com o termo adoção e com os tons como é empregado pra referir-se ao tema. É nessa etapa infantil quando se deve preparar para uma comunicação aberta sobre adoção, o que dará bons frutos mais adiante. Sejam sinceros consigo mesmos de modo que possam ser sinceros com seus filhos. São uma família adotiva e não podem mudar isso. Seus filhos têm direito de saber, quando for possível, sobre seus antecedentes e de sua adoção. Se tentam ocultar-lhes isso, eles se sentirão enganados e traídos até que a longo prazo descubram seus segredos (e o farão). À medida que seus pequenos mostram mais curiosidade a respeito da vida e do nascimento, estarão mais interessados em que papel atuam eles no esquema da existência.

Filhos adotados de um a três anos de idade
De 1 a 3 anos, as crianças estão muito ocupadas ganhando controle deles mesmos e do mundo. Fisicamente, o controle real começa durante essa etapa, controle de esfincteres, de caminhar, de alimentar-se, de seus pais através do “não”, etc.
Por volta dos 3 anos, a criança começa a aprender acerca da família e a concentrar seus interesses em como e quando nasceu. Antes que seus filhos possam entender o processo da adoção e as diferentes formas em que pode estar constituída a família, é necessário que compreendam as formas pelas quais se pode ter um filho.
É por volta dessa idade, quando começam a perguntar se cresceram na barriguinha da mamãe, portanto, que é o momento oportuno para explicar-lhes o processo de adoção e as diferentes formas que uma criança pode ingressar numa família.

Quando seu filho perguntar sobre o nascimento e a adoção
- Prepare-se para ser interrogado.
- Considere isso como uma oportunidade.
- Responda somente o que lhe perguntam, não entre em detalhes.
Essas perguntas são características das que fazem todas as crianças, e seus filhos não serão exceção:
- Como saiu o bebê?
- Eu nasci dessa maneira?
- Eu estive na sua barriga, mamãe?
- Por que eu não cresci na sua barriga?
Explique a seu filho que os bebês saem por uma abertura especial que têm todas as mulheres, e que todos nascemos dessa maneira. Que ele não cresceu em sua barriga, mas cresceu na de outra senhora e quando nasceu, você o adotou. Faça-o saber quão felizes estão pelo seu nascimento e que ele faz parte de toda a família.
Quando seu filho perguntar porque não cresceu em sua barriga, pode responder-lhe que tentou, mas não foi possível. E ele teve que vir de outra barriga. Se desejar, acrescente que você queria ter um filho, de modo que ele cresceu na barriga de outra senhora, e quando nasceu, você foi buscá-lo e o adotou.
Não trate de dizer a seu filho mais do que ele pode entender. À medida que cresçam, as informações também crescerão e serão mais adequadas para eles, segundo a idade que tenham. É importante contar-lhe, não somente de sua história depois de ingressar na família, mas também sobre suas origens e seus progenitores. Este conceito de uma história de vida global resulta num ponto crucial para desenvolvimento de sua identidade, e deve incluir tudo o que sabe a respeito do dia em que nasceu. A criança necessita saber que seu nascimento foi igual ao de todas as outras crianças, que forma parte de uma família, e que as famílias estão compostas por pessoas que vivem juntas e se amam umas às outras.

Filhos adotados de três a cinco anos de idade
De 3 a 5 anos, a criança estará se alistando para a próxima etapa: enfrentar o mundo. Começa a desenvolver a habilidade de explorar, de iniciar projetos e questionar tudo o que vê. Todas essas habilidades as ajudam a trabalhar a separação de seus pais, a preparar-se para sair do mundo seguro da casa ao selvagem e desconhecido. E no momento que der conta do mundo exterior, vai começar a confrontar o ato da sua própria adoção. Como sua habilidade de pensamento é tão rudimentar, geralmente a criança pequena tem problemas para entender as implicações de ser adotado.

Filhos adotados de seis a sete anos de idade
Na faixa dos 6 aos 7 anos, a criança pode diferenciar entre adoção e nascimento como modos alternativos de formar uma família. Em outras palavras, reconhece que, ainda que todos entrem no mundo da mesma maneira, pelo nascimento, a maioria dos membros da família o fazem nascendo dentro dela. Também reconhece que ser adotado significa ter dois pais distintos (“os que me conceberam e os que me acolheram e educaram”).
As crianças começam a perguntar sobre sua mãe biológica; as perguntas sobre seus pais biológicos podem vir um pouco mais tarde. Este é um bom momento para mostrar-lhes fotografias, cartas ou recordações de seus pais biológicos. Se não sabem as respostas às suas perguntas, ou se a história envolve um passado complexo ou penoso, responda com “talvez” evasivos, reafirmando o valor das pessoas envolvidas e a dificuldade de sua situação, enquanto reafirma o valor das pessoas envolvidas e a dificuldade de sua situação antes de “encontrar” seu filho.
Permita que pense sobre o tema, inclusive que fantasie sobre seus pais biológicos, induzindo seu filho a aceitar seu papel na família e a desenvolver um grau positivo de autoestima. Suas curiosidades podem derivar de temores sobre temas como que seus pais biológicos apareçam para reclamá-lo, por exemplo; por isso é tão importante que comprove que ele compreenda bem o processo e a razão de sua adoção.
O silêncio e a evasão possivelmente farão com que a criança pense que há algo errado em suas origens e consequentemente, que há algo mal nele. A alternativa é dizer-lhe a verdade do que passou; isto pode ser muito duro tanto para os pais como para o filho, já que no fundo existe uma verdade difícil de aceitar. Mas é mais danoso não dizê-lo, já que a criança percebe mistério, inquietude e silêncio sobre o tema sobre seus pais biológicos e de sua origem.
Esta distinção entre nascimento e adoção é muito importante, é a base de um significado e entendimento mais profundo. As crianças em idade escolar aumentam sua capacidade para solução de problemas. O desenvolvimento do pensamento lógico, aumento de sensibilidade ao ponto de vista dos outros, e experiência na sala de aula, contribui para este processo. A criança adotiva em idade escolar, pela primeira vez faz um esforço espontâneo para considerar seriamente as circunstâncias que rodeiam seu nascimento.
Por mais que os pais adotivos tentem, será difícil evitar que seus filhos tenham sentimentos de perda e aflição que inevitavelmente irão sentir. No entanto, poderão ajudá-los a superarem estas situações difíceis, entendendo seus sentimentos. Naqueles casos em que seu filho requeira alguma informação que não esteja em seu poder, ofereça-lhe ajuda para encontrá-la.
Um entendimento precoce que emerge sobre a família complica seus sentimentos sobre ser adotivo. Crianças pequenas, geralmente menores de 7 anos, definem a família primariamente em termos geográficos: sua família está composta pelas pessoas que vivem em casa. Não vêem a conexão biológica como necessária para ser membro familiar. Isto significa que as crianças pequenas aceitam facilmente a afirmação de seus pais adotivos, que são parte da mesma família e assim vai ser para sempre. 

Filhos adotados de sete a oito anos de idade
Perto dos 7 ou 8 anos, a criança começa a reconhecer que a família normalmente se define em termos de relações consanguíneas. Sendo assim, não tem vinculação biológica com seus pais adotivos, mas sim com seus pais biológicos (e possivelmente irmãos biológicos), em alguma parte, e aqui algumas crianças podem começar a expressar confusão sobre seu lugar como membro da família...
Além disso, este período se caracteriza pelo desenvolvimento da lógica recíproca. Com respeito à adoção, o desenvolvimento da lógica recíproca ajuda a sensibilizar a criança no assunto do abandono. Para as crianças jovens, os pais adotivos falam sobre a adoção enfatizando seu desejo de ter um filho e construir uma família. A criança, à medida que a história avança, necessita de um lar, e os pais adotivos os escolheram para ser parte da nova família. O que usualmente não se discute é porque a criança precisava de um lar.  Uma vez que a criança entra num período de pensamento lógico, percebe-se que para haver sido escolhida, primeiro teve que saber que veio de algum lugar, o que significa que foi abandonada. Durante esse tempo, a criança começa a entender a adoção não só em termos de construção familiar, mas também em termos de perda familiar.

Filhos adotados de nove a doze anos de idade
Entre 9 e 12 anos, as crianças têm uma compreensão mais profunda do que significa o processo adotivo. Talvez aflore nesta época os primeiros sinais prematuros de tristeza ou peso, à medida que as crianças comecem a resolver problemas, estabelecer prioridades e buscar relações. É também nestes momentos que começam a ver o lado público da adoção e a compreender que, socialmente, são diferentes de seus amigos, ainda que não compreendam bem porque esta diferença deve importar.
As crianças estão mais capacitadas para processar informação embaraçosa sobre sua adoção que quando chegam à adolescência. Se a história de seu filho inclui situações desagradáveis, no entanto, converse e compartilhe com ele as situações sem emitir juízos sobre elas.

Filhos adotados adolescentes
Entre 13 e 15 anos é muito comum que seu filho adolescente não queira relacionar-se com seus pais biológicos nem com os adotivos. É uma época particularmente difícil para a maioria dos jovens, na qual desejam assimilar-se ao seu meio e não ser diferenciados por alguma característica, seja esta qual for.
A partir dos 16 anos, como sucede com a maioria dos jovens, os adolescentes adotados estão constantemente tratando de descobrir como se encaixam no mundo que os rodeiam, como procurando estabelecer sua própria independência. Frenquentemente, é um período em que mostram um inusitado interesse pelos temas da adoção e por obter informações sobre sua família biológica.
À medida que os adolescentes se desenvolvem sexualmente, começam a analisar as diferentes opções que seus pais tinham, e muitas vezes julgam suas ações e decisões. Também lutam constantemente por buscar seu próprio equilíbrio entre as influências genéticas e as do meio ambiente.


Fonte: guiainfantil.com

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica (11) 97273-3448

sábado, 15 de agosto de 2015

LUTO

A perda de um ente querido é das experiências mais dolorosas. Nossa identidade e o senso de pertencer a um grupo são inseparáveis daqueles que nos cercam. Quando um deles se vai, deixa um espaço vazio na rede social que nos dá suporte, e cria sensação de isolamento.
Estar de luto abala a integridade do psiquismo e provoca sintomas fisiológicos que evoluem com o passar do tempo.
O luto tem uma fase aguda que envolve respostas à separação e ao estresse. É caracterizada por saudades, sentimentos de perda, tristeza, pensamentos e imagens da pessoa falecida. Ouvir a voz, ver e sentir sua presença podem representar formas de alucinações benignas, sem significado psicopatológico.
Nessa fase, costuma haver confusão a respeito da própria identidade e do papel no ambiente social, tendência a afastar-se das atividades habituais, desesperança e diferentes graus de apatia. Os sintomas incluem ansiedade, disforia, raiva e depressão, associados a alterações fisiológicas: taquicardia, aumento da pressão arterial, da produção dos hormônios envolvidos no estresse, distúrbios de sono e deficiência imunológica.
No período que se segue ao falecimento, aumenta o risco de infarto do miocárdio, das cardiopatias de estresse, de distúrbios de humor e ansiedade e do abuso de drogas lícitas ou não.
Vem em seguida, a fase de adaptação, caracterizada por alternâncias imprevisíveis entre aceitação e emoções negativas. A intensidade do luto diminui gradativamente com o passar dos meses, embora os sintomas possam retornar em momentos de dificuldade e em ocasiões especiais –  datas comemorativas, como: aniversários, Natal.
Pensamentos e comportamentos característicos da falta de adaptação e desgostos da vida cotidiana podem interromper os mecanismos adaptativos e provocar regressão à fase aguda.
Quando surgem as complicações classificadas como “distúrbio de luto prolongado”, o quadro persiste por períodos mais longos do que as normas sociais consideram aceitáveis e comprometem as atividades diárias.
As complicações do luto estão associadas a distúrbios do sono, abuso de drogas, ideações suicidas, depressão da imunidade, doenças cardiovasculares e dificuldade para seguir tratamentos de outros problemas de saúde, como hipertensão ou diabetes.
A característica principal é a tristeza profunda e prolongada, acompanhada de pensamentos insistentes ou imagens da pessoa falecida, raiva, sentimento de culpa, descrédito e inadequação para aceitar a realidade. Enquanto alguns procuram evitar situações que lhes tragam a lembrança da perda, há os que se apegam às roupas e objetos da pessoa que se foi.
Frustrados por não conseguir ajudar, amigos e parentes se afastam, aumentando a sensação de isolamento e a crença de que a felicidade só era possível na companhia do ente querido, que não está mais neste mundo.
O tratamento de escolha é a psicoterapia. O objetivo da terapia é restaurar a autoconfiança, o entusiasmo para planejar o futuro e ajudar a pensar na morte sem evocar culpa, revolta ou ansiedade.
Em alguns casos, a psicoterapia é aliada ao tratamento medicamentoso. O papel dos antidepressivos é controverso, porque faltam estudos bem conduzidos. A maioria dos psiquiatras, no entanto, procura prescrevê-los em conjunto com a psicoterapia. Embora limitada, a experiência sugere que os resultados são melhores com a associação.

Fonte: Drauzio Varella

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica - (11) 97273-3448


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Acupuntura Sem Dor é possível?

Uma terapia diferente e funcional.

São as pastilhas de micro-cristais de quartzo.
Baseadas no conceito da Medicina Oriental, onde nosso organismo é regido por pontos e meridianos energéticos responsáveis pelo seu perfeito funcionamento, quando estes deixam de fluir corretamente por qualquer motivo, o corpo se manifesta nos mais variados sintomas. E é aí que se faz necessário o tratamento nos mais variados: sua regulação. Essas pequenas pastilhas são empregadas em diversas áreas terapêuticas e carregam consigo micro-cristais de quartzo (silício), reconhecidamente os maiores ordenadores de ondas e frequências do universo, que atuam absorvendo as energias desarmonizadas e desequilibradas do organismo, devolvendo-as de forma controlada, harmonizada e gradual, restabelecendo assim o fluxo de energia continuamente.
Em alternativa à acupuntura, por exemplo, elas atuam como as agulhas, porém de forma não invasiva e indolor, reequilibrando pontos e meridianos, estimulando-os de forma permanente, pois ficam presas ao corpo com um micropore (esparadrapo cirúrgico) durante 5 dias. Ideal para quem não gosta ou não pode se submeter às agulhas, idosos, crianças e/ou bebês (pessoas com pele sensível). No combate às dores agudas ou crônicas, pelo mesmo princípio da reordenação de ondas e frequências, atuam de forma analgésica, amenizando as dores locais tão logo aplicadas, bem como otimizam o tratamento fisioterapêutico das principais lesões, como bursites, cervicalgias, epicondilites, síndromes do túnel do carpo, disfunções da ATM, lombalgias, hérnias de disco, tendinites, artrose, causalgias e várias outras. É comum sentir na região aplicada um leve aquecimento, proveniente do seu funcionamento, que também faz aumentar a circulação e oxigenação sanguínea local.
Além de beneficiarem os tratamentos mais comuns, são ótimas para a estética. Podem reduzir manchas, marcas de expressão, amenizar queloides, acelerar processos de cicatrização, tonificar músculos e colágenos de regiões rugosas e flácidas.
Não há nenhum tipo de efeito colateral ou risco de aplicação, pois as pastilhas são de uso tópico, feitas com material inerte e hipoalergênico, e seus micro-cristais de quartzo possuem tamanhos que não permitem nenhum tipo de absorção pela pele. Podem ser molhadas (em banhos, piscinas e mar) que não perdem a função. Permanecem por 5 dias nos mesmos pontos (estimulação permanente) e devem ser sempre aplicadas inteiras, pois contém quantidade específica de micro-cristais em cada pastilha.

Principais Aplicações:
  • Acupuntura, Auriculoterapia, Fisioterapia, Pontos de dor, Massoterapia, Odontologia, Óleos Essenciais, Florais e Aromas, Estética, Homeopatia, Oligoelementos, Drenagem, Quiropraxia, Reflexologia, Psicologia.

São devidamente aprovadas e autorizadas pela ANVISA, órgão supremo de fiscalização e controle de produtos e medicamentos do Ministério da Saúde.
Para obter sempre o melhor aproveitamento e eficácia do produto, as pastilhas devem ser aplicadas sempre por um profissional da saúde, que tem o perfeito conhecimento da fisiologia humana e estudou bastante para escolher os melhores pontos e protocolos.

A MTC (Medicina Tradicional Chinesa) vem ganhando anualmente uma quantidade incrível de adeptos, mas ainda assim é pouco difundida no Brasil e seus conceitos nem sempre são bem compreendidos pela maioria da população. Já na China, são de cinco mil anos de estudos e tradição. Prova clara de que funciona!

Fonte: stiper.com.br

Postado por: Ana Cláudia Foelkel Simões - Psicóloga e Terapeuta (11) 97273-3448


quarta-feira, 13 de maio de 2015

A Criança Abusada

Devido ao fato da criança muito nova não ser preparada psicologicamente para o estímulo sexual, e mesmo que não possa saber da conotação ética e moral da atividade sexual, quase invariavelmente acaba desenvolvendo problemas emocionais depois da violência sexual, exatamente por não ter habilidade diante desse tipo de estimulação.

A criança de cinco anos ou pouco mais, mesmo conhecendo e apreciando a pessoa que o abusa, se sente profundamente conflitante entre a lealdade para com essa pessoa e a percepção de que essas atividades sexuais estão sendo terrivelmente más. Para aumentar ainda mais esse conflito, pode experimentar profunda sensação de solidão e abandono.

Quando os abusos sexuais ocorrem na família, a criança pode ter muito medo da ira do parente abusador, medo das possibilidades de vingança ou da vergonha dos outros membros da família ou, pior ainda, pode temer que a família se desintegre ao descobrir seu segredo.

A criança que é vítima de abuso sexual prolongado, usualmente desenvolve uma perda violenta da autoestima, tem a sensação de que não vale nada e adquire uma representação anormal da sexualidade. A criança pode tornar-se muito retraída, perder a confiança em todos adultos e pode até chegar a considerar o suicídio, principalmente quando existe a possibilidade da pessoa que abusa ameaçar de violência se a criança negar-se aos seus desejos.

Algumas crianças abusadas sexualmente podem ter dificuldades para estabelecer relações harmônicas com outras pessoas, podem se transformar em adultos que também abusam de outras crianças, podem se inclinar para a prostituição ou podem ter outros problemas sérios quando adultos.

Comumente as crianças abusadas estão aterrorizadas, confusas e muito temerosas de contar sobre o incidente. Com frequência elas permanecem silenciosas por não desejarem prejudicar o abusador ou provocar uma desagregação familiar ou por receio de serem consideradas culpadas ou castigadas. Crianças maiores podem sentir-se envergonhadas com o incidente, principalmente se o abusador é alguém da família.

Mudanças bruscas no comportamento, apetite ou no sono pode ser um indício de que alguma coisa está acontecendo, principalmente se a criança se mostrar curiosamente isolada, muito perturbada quando deixada só ou quando o abusador estiver perto.

O comportamento das crianças abusadas sexualmente pode incluir:
1. Interesse excessivo ou evitação de natureza sexual;
2. Problemas com o sono ou pesadelos;
3. Depressão ou isolamento de seus amigos e da família;
4. Achar que têm o corpo sujo ou contaminado;
5. Ter medo de que haja algo de mal com seus genitais;
6. Negar-se a ir à escola,
7. Rebeldia e Delinquência;
8. Agressividade excessiva;
9. Comportamento suicida;
10. Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares;
11. Retirar-se ou não querer participar de esportes;
12. Respostas ilógicas (para-respostas) quando perguntamos sobre alguma ferida em seus genitais;
13. Temor irracional diante do exame físico;
14. Mudanças súbitas de conduta.


Algumas vezes, entretanto, crianças ou adolescentes portadores de Transtorno de Conduta severo fantasiam e criam falsas informações em relação ao abuso sexual. 

Referência: Ballone GJ - Abuso Sexual Infantil

Postado por: Ana Claudia Foelkel Simões
Psicóloga Clínica (11) 97273-3448